Otite em Cães: Por Que Seu Cachorro Não Para de Coçar a Orelha

Publicado em por Adotar.com.br

Otite em Cães: Por Que Seu Cachorro Não Para de Coçar a Orelha

Coceira constante, cheiro forte e cabeça sempre inclinada de lado podem ser sinais de otite canina. Entenda as causas, as raças mais predispostas e como cuidar da orelha do seu cão sem cometer erros perigosos.

Se você percebeu seu cachorro esfregando a cabeça no tapete, balançando as orelhas com frequência exagerada ou reclamando quando você toca perto do ouvido, vale prestar atenção: esses são alguns dos sinais mais comuns de otite canina, uma das doenças de pele e ouvido mais frequentes na rotina clínica veterinária. A boa notícia é que, na maioria dos casos, a otite tem tratamento simples quando identificada cedo — o problema é que muitos tutores só procuram ajuda quando o quadro já está avançado e dolorido para o animal.

Neste artigo você vai entender por que a orelha do cão coça, quais são as causas mais comuns (de fungos a alergias), quais raças têm mais chance de desenvolver o problema, como fazer a limpeza correta do ouvido em casa e o que jamais deve ser usado nesse processo, além de como funciona o tratamento veterinário e a prevenção depois do banho.

Sinais de Que Seu Cachorro Pode Estar com Otite

O sintoma mais evidente da otite canina é a coceira insistente na região da orelha, muitas vezes acompanhada do cão esfregando a cabeça em móveis, tapetes ou no chão. Outro sinal característico é o cão balançar a cabeça repetidamente, como se tentasse "tirar" algo de dentro do ouvido. Esse comportamento acontece porque a inflamação do conduto auditivo causa desconforto e, em casos mais avançados, dor real ao toque.

Um segundo grupo de sinais está relacionado ao aspecto e ao cheiro da orelha. É comum observar vermelhidão, oleosidade excessiva, secreção de cor escura ou amarelada e, principalmente, um cheiro forte e desagradável saindo do ouvido — um dos indícios mais citados por tutores e clínicas veterinárias como sinal de alerta. Em quadros mais graves, o cão pode inclinar a cabeça para um dos lados, evitar que a orelha seja tocada ou até perder o equilíbrio, o que já indica comprometimento mais profundo do canal auditivo.

Cachorro de orelhas caídas coçando a orelha com a pata
Coçar a orelha repetidamente e balançar a cabeça são os primeiros sinais de alerta para otite.

Vale reforçar que nem toda coceira na orelha é otite — pode ser apenas acúmulo de cera ou sujeira comum após um passeio. Mas quando a coceira persiste por mais de um ou dois dias, vem acompanhada de cheiro forte ou secreção, é hora de procurar um médico-veterinário para um diagnóstico correto antes que o quadro evolua para uma infecção mais séria.

Causas da Otite: Fungos, Bactérias, Ácaros e Alergia

A otite em cães raramente tem uma única causa isolada — geralmente existe um fator predisponente (como a conformação da orelha) somado a um agente que efetivamente desencadeia a inflamação. Entre os agentes infecciosos mais comuns está o fungo Malassezia, um microrganismo que já habita naturalmente a pele e o ouvido dos cães, mas que se prolifera de forma descontrolada quando o ambiente do conduto auditivo fica quente e úmido, como costuma acontecer após banhos ou mergulhos sem secagem adequada.

As infecções bacterianas também são muito frequentes, geralmente causadas por bactérias como Staphylococcus pseudintermedius, Streptococcus sp. e Pseudomonas sp., que se aproveitam do mesmo microambiente úmido para se multiplicar. Já os ácaros de orelha, principalmente o Otodectes cynotis, são mais comuns em filhotes e em animais que tiveram contato com outros pets infestados, causando coceira intensa e uma secreção escura característica, com aspecto semelhante a borra de café.

Por fim, a causa que mais tem ganhado atenção da medicina veterinária nos últimos anos é a otite alérgica, considerada hoje a forma mais prevalente de otite em cães. Ela costuma estar associada à dermatite atópica, a alergias alimentares ou à sensibilização a alérgenos ambientais, e funciona como uma espécie de "porta de entrada": a inflamação alérgica altera o pH e a produção de cera do ouvido, criando o ambiente perfeito para fungos e bactérias se instalarem em seguida.

Importante: apenas o exame de citologia auricular feito pelo veterinário consegue identificar com precisão se a otite é causada por fungo, bactéria, ácaro ou uma combinação deles. Usar um produto errado sem esse diagnóstico pode piorar o quadro em vez de tratá-lo.

Como as causas são distintas, o tratamento também precisa ser específico para cada agente. A tabela a seguir resume as principais diferenças entre elas:

Causa Aspecto da secreção Sinais associados Fator de risco comum
Fungo (Malassezia) Oleosa, amarronzada, cheiro forte Vermelhidão, oleosidade da pele Umidade no conduto auditivo
Bactéria Amarelada ou esverdeada, purulenta Dor, inchaço, calor local Lesões prévias, umidade
Ácaro (Otodectes cynotis) Escura, seca, tipo "borra de café" Coceira intensa, mais comum em filhotes Contato com animais infestados
Alergia (atópica/alimentar) Variável, muitas vezes recorrente Coceira também em patas e pele, otite recorrente Predisposição genética, dieta

Raças Predispostas: Por Que a Orelha Caída Aumenta o Risco

Se você tem um cão de orelhas caídas, provavelmente já percebeu que ele parece mais propenso a problemas de ouvido do que cães de orelha ereta — e isso não é impressão. A conformação da orelha caída reduz significativamente a ventilação do conduto auditivo, o que aumenta a umidade interna e cria um ambiente favorável para a proliferação de fungos e bactérias. É por isso que raças como cocker spaniel, basset hound, labrador retriever, springer spaniel e bloodhound aparecem com destaque nos estudos sobre otite externa canina.

O basset hound, especificamente, apresenta um risco cerca de seis vezes maior de desenvolver otite externa em comparação a cães sem raça definida, segundo estudo retrospectivo publicado em periódico veterinário. Já o cocker spaniel soma a esse fator anatômico uma maior densidade de glândulas produtoras de cera e pelos dentro do canal auditivo, o que intensifica ainda mais a umidade e a obstrução natural da orelha.

Cocker spaniel de orelhas longas e caídas deitado
Cocker spaniel, basset hound e labrador estão entre as raças com maior predisposição à otite.

Isso não significa que cães dessas raças vão necessariamente desenvolver otite, mas sim que os tutores precisam redobrar a atenção com a limpeza preventiva e observar sinais precoces com mais frequência. Cães de orelha ereta, como pastores e vira-latas de orelha pequena, também podem ter otite — geralmente associada a alergias ou corpos estranhos —, mas em proporção menor do que as raças de orelha longa e caída.

Como Limpar a Orelha do Cachorro Corretamente (e o Que Jamais Usar)

A limpeza preventiva do ouvido é uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de otite, mas precisa ser feita com a técnica certa. O primeiro passo é usar apenas uma solução de limpeza de ouvido indicada por um médico-veterinário, aplicada em quantidade generosa dentro do canal auditivo com a cabeça do cão inclinada para o lado. Em seguida, massageie suavemente a base da orelha por cerca de 20 a 30 segundos — esse movimento ajuda a dissolver a cera e os resíduos acumulados no fundo do canal.

Depois da massagem, deixe o cão balançar a cabeça livremente: esse gesto natural ajuda a expelir o excesso de líquido e a cera dissolvida para fora do canal auditivo. Só então finalize limpando apenas a parte visível da orelha com um algodão ou gaze enrolado no dedo — nunca insira o dedo diretamente nem tente alcançar áreas mais profundas do ouvido.

O que jamais usar na limpeza da orelha do cachorro:

  • Cotonetes — empurram cera e sujeira para dentro do canal e podem lesionar o tímpano
  • Água oxigenada ou álcool — irritam a pele sensível do conduto auditivo
  • Água com sal, vinagre ou outras receitas caseiras — não têm respaldo veterinário e podem agravar inflamações
  • Produtos de limpeza de ouvido formulados para humanos
Tutor limpando a orelha de um cão com cuidado usando algodão
A limpeza deve ser feita apenas na parte visível da orelha, com produto indicado pelo veterinário.

A frequência ideal de limpeza varia de acordo com a raça, o estilo de vida do cão e a orientação do veterinário responsável — cães de orelha caída ou que nadam com frequência costumam precisar de limpeza mais regular do que cães de orelha ereta e pelo curto. Antes de adotar uma rotina de limpeza semanal por conta própria, vale confirmar com o médico-veterinário qual produto e qual frequência são mais adequados para o seu cão.

Tratamento Veterinário e o Risco de Recorrência

Diante de sinais de otite, a consulta veterinária é indispensável — e não apenas para aliviar o desconforto imediato do cão. O diagnóstico correto depende de exames simples, como a citologia auricular, que permite identificar sob o microscópio se o problema é causado por fungo, bactéria, ácaro ou uma combinação desses agentes. Sem esse exame, é praticamente impossível saber qual produto vai realmente resolver o problema, já que cada agente exige uma abordagem terapêutica diferente.

O tratamento geralmente envolve limpeza profissional do ouvido, medicação tópica (gotas ou pomadas específicas) e, em alguns casos, medicação sistêmica via oral. Quando o diagnóstico aponta para ácaros, é importante tratar todos os cães e gatos que convivem na mesma casa, já que o Otodectes cynotis é altamente contagioso entre animais, e completar todo o período de tratamento recomendado — interromper cedo demais é uma das principais causas de reinfestação.

Já quando a otite tem origem alérgica, o desafio é maior: tratar apenas a infecção secundária (fungo ou bactéria) sem investigar a causa alérgica de base tende a resultar em otite recorrente, com o quadro voltando semanas ou meses depois. Nesses casos, o veterinário pode indicar investigação de alergia alimentar, manejo de dermatite atópica ou acompanhamento dermatológico contínuo para reduzir a frequência das crises.

Veterinário examinando a orelha de um cachorro com otoscópio
Apenas o exame veterinário identifica com precisão a causa da otite e evita tratamentos equivocados.

Se você está pensando em adotar um cão de raça predisposta a problemas de ouvido, vale se planejar financeiramente: consultas, exames e tratamentos recorrentes entram na conta dos custos reais do primeiro ano com cachorro ou gato, algo importante de considerar antes da chegada do novo membro da família.

Prevenção Pós-Banho: O Cuidado que Muitos Tutores Esquecem

Um dos momentos mais críticos para o desenvolvimento de otite é logo após o banho ou um mergulho na piscina, no mar ou em rios. A água que entra no canal auditivo e não é removida adequadamente cria exatamente o ambiente quente e úmido que fungos e bactérias precisam para se proliferar. Por isso, secar bem a parte externa da orelha com uma toalha macia, sem introduzir o tecido no canal, é um passo simples que faz diferença real na prevenção.

Para cães de orelha caída ou que nadam com frequência, alguns veterinários recomendam o uso de soluções secantes específicas após o banho, aplicadas conforme orientação profissional, para ajudar a evaporar a umidade residual do conduto auditivo. Evitar que o pelo ao redor da orelha fique constantemente molhado e manter a região bem ventilada também contribui para reduzir o risco.

Por fim, vale lembrar que a prevenção da otite caminha junto com os cuidados gerais de adaptação e bem-estar do animal — principalmente em pets recém-adotados, que ainda estão se acostumando com a rotina de higiene da nova casa. Se você adotou recentemente um cão ou está no processo de adaptação, entender a regra 3-3-3 de adaptação de cães e gatos adotados pode ajudar a introduzir a rotina de limpeza de orelha de forma mais tranquila para o animal.

Observar a orelha do seu cão regularmente, agir rápido diante dos primeiros sinais de coceira ou cheiro forte e manter a limpeza preventiva com orientação veterinária são os passos mais eficazes para evitar que a otite se torne um problema recorrente. E se você ainda está avaliando trazer um novo cão para casa, vale conferir também quais perguntas fazer antes de adotar um pet — incluindo questões sobre a raça e possíveis predisposições de saúde — e conhecer as instituições parceiras de adoção que podem orientar sobre o histórico de saúde dos animais disponíveis.

Otite em Cães: Por Que Seu Cachorro Não Para de Coçar a Orelha
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